Nada como se perder nas ruas do centro. Por incrivel que pareça eu ainda consigo me perder nas ruas do centro da cidade, em especial nas proximidades de um largo que eu esqueci o nome, deve ser por isto que me perco hehehehe, mas sempre esbarro com coisas interessantes por aquelas bandas. Tenho sempre os olhos abertos para poder ver o que os olhos não veem, sentir o que o coração não sente e lembrar de sonhos dementes como este aqui:
As coisas perdem o valor.
Ou perdem o lugar pra outras coisas.
Quando era menino, morria por uma praia.
Minha tia me arrastava junto.
A mãe dizia:
– Não, desta vez não ele não vai vocês não me convencem.
– Este moleque que nem comer come. Vai pegar insolação.
– Não e Não.
No fim, lá eu ia. E só ia porque ajudava. A carregar a mala e criança mijada. Olhar os pequenos era fácil difícil era...
A casa era bem longe no meio do mato.
Eu gostava. Era de ver tirar leite da vaca. Ajudar a apartar os carneiros. Os cafés na beira do fogão a lenha. Até peixinhos fritos e ovos na chapa. Brincar a sombra da figueira milenar. Flagrar artes dos pequenos. Tipo quando um deles matou doze pintinhos um a um, pedra na cabeça. Ou quando o mesmo (a peste) sumiu e tivemos de campear muito até ver dois dedinhos na beira do poço. E quando a gente gritava pra sair, ele dizia:
– Ó! Mãe com uma mão. Ó! Mãe troquei de mão. Ó! Sem nenhuma… ops. huahuahua tchbuumm (esse era eu e isso é uma outra história)
Foram vários verões. Em que passiei de carro de boi. Comi rato do banhado (preá) blergh!
(Que fazer?? como ser tinhoso longe da mãe). Brinquei no rio e rolei montes gigantescos de areia.
Nem sabia o que era filtro solar. E minha pele branquissima sofria.
Queimaduras…bolhas…Virava pantera cor de rosa.
Para aliviar? Cachaça e polvilho.
O ruim era quando anoitecia. Dava uma dor no peito ver o sol sumindo atras do morro.
Eu que só dormia de luz acesa, tinha que me contentar com uns lampiõezinhos de querozene. Que eram apagados ao deitar. Brrrrr UUUUUuhhhhhhh
Quanta noite em claro. Ao primeiro canto de galo, corria ver o dia nascer. E a saudade de casa passava.
Dormia onde sobrava um lugar. Por pouco não era sentado. Uma vez me sobrou o topo de um triliche, de cara para um buraco no forro. Um bater de asas, barulho esquisito no escuro. A menina de baixo dizendo:
–Liga não. São os morcegos.
Bah!
E morcego nem era nada. pior eram as pulgas de muriçoca nem falo. My God era tanta. Sentia que por pouco não me carregavam pro mar. Um dia me sobrou um cobertor, crivado de tanta pulga, era colocar a mão e o formigueiro me atacava. Dormi acocorado num canto da sala.
A noite era o pior de tudo. Sentia saudade da mãe, do pai, da mana.
No dia de voltar, mal me continha. E a viagem era longa, por uma estrada dificil e o carro era velho, cheio de manhas.
De vez em quando engasgava. Daí meu padrinho dizia:
–Já sei! Quer banana. Nunca vou entender essa história
Puxava um cacho enorme de bananas verdes, descascava uma e enfiava no carburador, eu acho.
O bicho tossia e vrum vrummmm….Mais um trecho, até o seu próximo lanchinho.
Quando conto isso hoje em dia, ninguem acredita, mas juro! O carro comia bananas.
Quando chegava no portão, já chegava chorando, beijando e gritando o chão mãaaaaaeeee. Já chegava Beijando.
Mostrando minha pele vermelha, minhas bolhas, de mês e meio curtindo no sol.
Nunca vou esquecer aquela sensação de voltar pra casa e encontrá-los.
Hoje estou na minha casa, todo o conforto, internet e mil frescuras.
Mas algo me falta…falta e dói.
Saudades! Saudades do que já foi, Saudades do carro de boi.
Beijos e Boa semana a Todos
Escrevia e ouvia esta canção do Nando Reis
Um comentário:
Olá, adorei esse texto!
Lindooo...
Parece até que escreveu por mim!
Um abraço. Namaste.
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