Abertura

Aonde quer que você esteja, você está sempre muito bem acompanhado......por Deus é claro.

Sejam Muito Bem Vindos ao Blog-Vida Natural Terapias

sábado, 29 de agosto de 2009

ENTRE AMIGOS

Para que serve um amigo? Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra. Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.

Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos.

Verdade verdadeira. Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo construído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.

Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.

Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.

Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.

Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.

Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.

Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.

Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.

Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, Amém.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Meus Amigos

Achei este texto de Oscar Wilde, analisando o texto identifiquei nele o motivo de termos amigos é realmente muito gostoso poder sempre contar com vocês em todos os momentos um beijo e um abraço apertado a todos vocês.

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.

Fico com aqueles que fazem de mim LOUCO e SANTO.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril".(Oscar Wilde)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Debaixo da Ponte

Recebi está mensagem de uma amiga, reflitam sobre a mensagem e saibam que nunca estamos sozinho em nossa jornada.

As Visitas de Chico Xavier
Livro: Mediunidade
Divaldo Pereira Franco

O mais bonito, não eram apenas as visitas que o Chico fazia com os grupos, mas aquelas anónimas que ele realizava pela madrugada, quando saía sozinho para levar seu conforto moral à famílias doentes, a pessoas moribundas, às vezes acompanhado por um amigo para assessorá-lo, ajudá-lo, pois já portava alguns problemas de saúde, mas sem que ninguém o soubesse.

Ali estava a maior antena paranormal da humanidade nos últimos séculos, apagando este potencial para chorar com um família que tinha fome.

Ele contou-me que tinha o hábito, em Pedro Leopoldo, de visitar pessoas que ficavam embaixo de uma velha ponte numa estrada abandonada, e que ruíra.

Iam ele, sua irmã Luiza e mais duas ou três pessoas muito pobres de sua comunidade.

A medida que eles aumentavam a frequência de visitas, os necessitados foram se avolumando, e mal conseguiam víveres para o grupo, pois que os seus salários eram insuficientes, e todos eram pessoas de escassos recursos.

O esposo de Luíza, que era fiscal da prefeitura, recolhia, quando nas feiras-livres havia excedente, legumes e outros alimentos, e que eram doados para distribuir anonimamente, nos sábados, à noite, aos necessitados da ponte.

Houve, porém, um dia em que ele, Luíza e suas auxiliares não tinham absolutamente nada;
decidiu-se então, não irem, pois aquela gente estava com fome e nada teriam para oferecer.

Eles também estavam vivendo com extremas dificuldades.

Foi quando apareceu-lhe o espírito do Dr. Bezerra de Menezes, que sugeriu colocassem algumas bilhas com água, que ele iriam magnetizá-las para ser distribuída, havendo, ao menos, alguma coisa para dar.

Ele assim o fez, e o benfeitor, utilizando-se do seu ectoplasma bem como o das demais pessoas presentes, fluidificou o líquido.

Esse adquiriu um suave perfume, e então o Chico tomou as moringas e, com suas amigas, após a reunião convencional do sábado, dirigiram-se à ponte.

Quando lá chegaram encontraram umas 200 pessoas, entre crianças, adultos, enfermos em geral, pessoas com graves problemas espirituais, necessitados.

Lá vem o Chico, dona Luíza' - gritaram e ele, constrangido e angustiado, por ter levado apenas água (o povo nem sabia o que seria água magnetizada, fluidificada), pretendeu explicar a ocorrência.

Levantou-se e falou:
- Meus irmãos, hoje nós não temos nada - e narrou a dificuldade.

As pessoas ficaram logo ofendidas, tomando atitudes de desrespeito, e ele começou a chorar.

Neste momento, uma das assistidas levantou-se e disse:
- Alto lá! Este homem e estas mulheres vêm sempre aqui nos ajudar, e hoje, que eles não têm nada para nos dar, cabe-nos dar-lhes alguma coisa. Vamos dar-lhes a nossa alegria, vamos cantar, vamos agradecer a Deus.

Enquanto ela estava dizendo isso, apareceu um caminhão carregado, e alguém, lá de dentro, interrogou:
- Quem é Chico Xavier?

Quando ele atendeu, o motorista perguntou se ele se lembrava de um certo Dr Fulano de Tal?
Chico recordava-se de um certo senhor de grandes posses materiais que vivia em São Paulo, que um ano antes estivera em Pedro Leopoldo, e lhe contara o drama de que era objecto.

Seu filho querido desencarnara, ele e a esposa estavam desesperados - ainda não havia o denominado Correio de Luz, eram comunicações mais esporádicas - e Chico compadeceu-se muito da angústia do casal.

Durante a reunião, o filhinho veio trazido pelo Dr. Bezerra de Menezes e escreveu uma consoladora mensagem.

Então o cavalheiro disse-lhe:
- Um dia, Chico, eu hei de retribuir-lhe de alguma forma. Mas como é que meu filho deu esta comunicação?

Chico explicou-lhe:
- É natural esse fenómeno, graças ao venerando Espírito Dr. Bezerra de Menezes, que trouxe o jovem desencarnado para este fim', e deu-lhe uma ideia muito rápida do que eram as comunicações mediúnicas.

O casal ficou muito grato ao Dr. Bezerra de Menezes, e repetiu que um dia haveria de retribuir a graça recebida.

Foi quando o motorista lhe narrou:
- Estou trazendo este caminhão de alimentos mandado pelo sr Fulano de Tal, que me deu o endereço do Centro onde deveria entregar a carga, mas tive um problema na estrada, e atrasei-me; quando cheguei, estava tudo fechado.

Olhei para os lados e apareceu-me um senhor de idade com barbas brancas, e perguntou o que eu desejava.

- Estou procurando sr Chico Xavier' - respondi.
- Pois olhe: dobre ali, vá até uma ponte caída, e diga que fui eu quem o orientou' - respondeu-me.
- E qual o seu nome?' - indaguei, e ele respondeu - Bezerra de Menezes.

Homem-Areia

A narrativa conta a história de uma criança, que morria de medo do homem-areia. Certa vez, ele perguntou a sua mãe quem era esse tal homem, ela respondeu que não havia nenhum homem da areia, que ela só falava aquilo, pois quando se está com sono, não se consegue ficar com os olhos abertos, parecendo que tem areia dentro deles. Não satisfeito com a resposta, Natanael foi perguntar para uma criada quem era o homem-areia; Ela respondeu que era um homem muito malvado, que aparecia quando as crianças não queriam dormir; Ele então jogava um punhado de areia nos seus olhos, fazendo com que eles saltassem do rosto. O tal homem então, utilizava esses olhos para alimentar seu rebanho. O garoto passa a ter muito medo do homem-areia. Ele acaba ficando obssecado pela história e passa muitas hora pensando no tal.

Esta lenda faz a gente pensar sobre nossos medos e temores, as vezes nos damos conta que nos deixamos levar por lendas e histórias e até por comentários maldosos. Pensem a respeito ouvindo a canção de Enya: "Song of the Sandman".

Song of the Sandman - Canção do Homem-Areia
Letra de Roma Ryan e Música de Enya

Can you hear in night's deep song
Pode ouvir a a profunda canção da noite?
all the shadows say
Todas as sombras dizem
telling you when you're asleep
Dizendo-lhe quando você está adormecido,
tears will fade away
Lágrimas irão desaparecer

Dream of morning's golden light
Sonho de luz dourada da manhã
when you and I will leave the night
Quando você e eu deixaremos sair à noite ...

And when the moon is high and bright
E quando a lua está alta e brilhante,
stars will shine on you
Estrelas vão brilhar sobre ti

Dream of morning's golden light
Sonho da luz dourada da manhã
when you and I will leave the night
Quando você e eu deixaremos sair à noite ...

Make a wish and when you close your eyes
Faça um desejo e quando você fecha seus olhos
I will come to you
Vou com você

Dream of morning's golden light
Sonho da luz dourada da manhã
when you and I will leave the night
Quando você e eu deixaremos sair à noite ...

Make a wish and when you close your eyes
Faça um desejo e quando você fecha seus olhos
I will come to you
Vou com você

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

LIÇÃO DE HUMILDADE

Servos Inúteis - Extraído do livro "Sabedoria do Evangelho"

Prof. Carlos Torres Pastorino

"Qual de vós, tendo um servo arando ou pastoreando, lhe dirá ao vir ele do campo: vem já, reclina-te (à mesa)? Mas não lhe dirá: Prepara o que cearei e, cingindo-te, serve-me, enquanto como e bebo, e depois tu comerás e beberás . Acaso agradecerá ao servo porque cumpriu as ordens? Assim também vós, todas as vezes que tiverdes cumprido todas as ordens, dizei: somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer". Lucas 17 : 7-10

O caso do servo fiel refere-se, evidentemente, a um escravo cujo tempo integral deve estar à disposição de seu senhor, já que o assalariado dispõe para si de todas as horas, antes e após o serviço contratado.

O exemplo trazido parece demonstrar uma pessoa que só possuía esse servo para todo o serviço.

Embora pareça mais "humano" que o servo fosse primeiramente comer e ter rápido repouso após a estafa do campo, o fato aqui comentado é uma lição que precisa ser interpretada como alegoria de outra realidade mais alta. Tanto assim, que em Lucas (12 : 37) dá-se até o exemplo contrário: o servo, que o senhor encontra vigilante, é servido pelas mãos de seu senhor, com alegria e gratidão.

A única explicação necessária é quanto ao servo "cingir-se". O trabalho pesado no campo era realizado pelos servos totalmente nus ou com pequena tanga, a não ser no sol escaldante do verão, quando então vestiam uma túnica larga, enfiada pelo pescoço, com um turbante à cabeça. Ao terminar o trabalho, entravam em casa, em qualquer época, com a túnica esvoaçante, que não se adaptava, porém, a serviços domésticos . Para realizá-los, ou para sair à rua (vol. 3o., pág. 80) amarravam um cordel à cintura ("cingiam-se"), para que os movimentos fossem facilitados.

Lição das mais belas

O Senhor do Mundo. por meio de Seus discípulos graduados, os Mestres de Sabedoria, governa larga rede de Adeptos, Iniciados, Discípulos aceitos e Discípulos em provação, conscientes ou inconscientes de suas ligações; e isso em todos os setores religiosos, filosóficos, políticos, industriais, comerciais, artísticos, na medicina, na engenharia, no jornalismo, em todas as profissões, mas especialmente no magistério de todos os graus. Através dessas criaturas, são executadas as tarefas necessárias à recuperação da humanidade e do planeta, para que tudo evolua dentro dos planos do Grande Concilio.

Assim, todos os que estão conscientes das tarefas que lhes foram cometidas e das obrigações que assumiram voluntariamente, são como escravos que se venderam, para dedicar-se à obra em regime de tempo integral, dia e noite, abandonando, se necessário, família, afazeres, negócios, posses particulares, de forma a que nenhum minuto seja dedicado a outros interesses. O serviço, para quem quer que entre para a Fraternidade, tem que ser total e desinteressado, constante e contínuo, alegre e despreocupado dos frutos que nos não pertencem: todo o fruto do trabalho do escravo pertence a seu senhor, de direito e de fato. Todas as horas são absorvidas pelo trabalho assumido, não havendo desculpas para interrupções nem afrouxamentos, sob pena de desligamento automático da Fraternidade à qual espontaneamente nos filiamos, levados pelo amor altruísta de AJUDAR aos outros sem pensar em nossa personagem transitória e deficiente.

Quem não coloca a obra acima da personalidade, em TODOS os aspectos, não pode ser "discípulo". Por isso existe o "discípulo em provação", assim chamado durante o tempo em que é experimentado, para ver se realmente é desinteressado (não apenas monetariamente, mas em todos os sentidos), se é capaz de sacrificar emprego, família, comodidade, sono, alimentação, tudo, em beneficio e para servir à obra. Essa "provação" dura, em cada existência, cerca de sete anos. Findos estes se as provas não foram de fato concludentes, mais sete anos são acrescentados, numa segunda e última oportunidade, para verificar-se a possibilidade de ingressar na Escola como "discípulo aceito". As lições verdadeiras chegam-nos desde a mais remota antigüidade. O Antigo Testamento já nos ensinara que assim ocorre, narrando um fato com valor simbólico.

Observemos, inicialmente, o significado dos nomes. LABÃO quer dizer "branco, brilhante", e representa o Mestre Hierofante e Iniciador. JACOB exprime "o suplantador, ou vencedor" das provas. LIA (Le'ah) quer dizer "cansado, falta de forças". E RAQUEL (Rahhel) significa "cordeiro ou ovelha". Analisemos, agora, os fatos como se passam.

Jacob pretende Raquel (o Cordeiro era o signo daquela era, isto é, o máximo da evolução) e Labão, o Mestre, exige que ele "sirva" na escola durante sete anos. Findos os quais, não lhe dá Raquel, porque o pretendente não alcançara o grau necessário, mas, antes sente-se "cansado" (recebe Lia, em lugar de Raquel). Fica resolvido, então que "servirá" mais sete anos. E vence (é "o vencedor, o suplantador" das provas) neste segundo período, recebendo então como troféu de vitória, a Iniciação (Raquel).

Ainda hoje, essa é a técnica. A isso nos submetemos todos, consciente ou inconscientemente, nas personagens atuais. As oportunidades são-nos dadas, para demonstrar que conquistamos a humildade, ouvindo o que não nos agrada e sorrindo, sem magoar-nos; o desprendimento total, estando prontos a renunciar a tudo o que possuímos ("Vai, vende tudo o que tens, e vem, segue-me", Luc.10:21); o amor desinteressado a todos, mesmo aos seres mais antipáticos; a constância e a continuidade no trabalho, sem esmorecimentos nem vontades de largá-lo por quaisquer motivos, por mais fortes que nos pareçam; resolução férrea de superar as provas, sobretudo as que ferem nossa vaidade pessoal e nosso orgulho profissional; e renúncia absoluta a quaisquer resultados e a quaisquer conquistas de bens terrenos, sejam eles quais forem.

Aqueles que, tendo sido admitidos a uma Escola (mesmo que tenha outro nome), após esses anos de experimentação não lograram atingir o ponto evolutivo requerido, saem por seus próprios pés, alegando que não concordam com isto ou aquilo, ou que não "se dão" com esta ou aquela pessoa, ou que não se dispõem a renunciar a seu próprio "modo de ser"(pois, dizem, sou assim).

Para alguns espíritos que realmente não são aproveitáveis, dois ou três anos de experimentação bastam para se definirem; mas a outros, que poderiam e deveriam ser aproveitados como discípulos aceitos, é dada oportunidade maior de sete e mais sete; se após catorze anos de freqüência não "modificam sua mente" (metánoia) são afastados, para não impedirem o progresso espiritual da Escola.

Os discípulos aceitos, após darem tudo o que podem no trabalho diurno, quer como "agricultores", arando o terreno sáfaro da humanidade; quer como "pastores", levando ao pasto do conhecimento, à alimentação do ensino espiritual, as almas famintas e sedentas da Verdade; devem ainda, antes de relaxar-se no suspirado repouso, cingir-se a cintura e ir, durante a noite, em corpo astral ou mental, preparar a ceia e servir a seu Mestre, para que, com a aproximação propiciada pela ajuda amorosa e dedicada, aumentem cada vez mais seu conhecimento da Verdade.

Para estas tarefas, requer-se obediência cega: sacrifício pessoal do repouso; abandono a segundo plano de qualquer interesse, mesmo "justo" no mundo, se estiver fora do trabalho ordenado pelo Mestre ("não podeis servir a dois senhores, a Deus e às riquezas". Lucas 16 : 13); requer-se a superação da vontade própria pessoal, em benefício da vontade do Mestre; a energia controlada nos momentos de perigo, para que as ordens do Senhor sejam cumpridas, mesmo que isso signifique rompimento dos laços sangüíneos de parentesco ou de amizades antigas e arraigadas; a isenção de ânimo para, sem titubear, colocar os interesses da obra acima dos seus; a fortaleza de mente para não se ser afetado minimamente pelas palavras ou julgamentos alheios, pelo que os outros "possam dizer"; o equilíbrio para continuar no trabalho sem perturbação, mesmo entre as grandes perturbações, que jamais deverão desnortear a mente do discípulo.

E tudo isso, terá que ser realizado sem que a emoção (animalismo) se intrometa, para que não haja atuação de vínculos menos nobres; embora classificado de "frio" e "sem sentimentos", o discípulo tem que alimentar em si mesmo o sentimento puro e espiritual do perdão e do amor, os quais, entretanto, não podem interferir nas decisões que forem "ordem superior'', para resguardar a programação prevista no desenvolvimento do trabalho.

Se tudo isso for feito, e depois que tudo isto tenha sido feito, não merecemos nenhum agradecimento de nosso Mestre: fizemos o que tínhamos que fazer e, portanto, somos servos "inúteis".

Pode argumentar-se que, de fato, tivemos alguma utilidade no desenvolvimento do trabalho. Mas o ensino é dado para que nos convençamos da realidade: qualquer outro faria o mesmo ou melhor que nós. Nós ainda temos que agradecer a honra que nos é conferida, de poder trabalhar para tão grande Senhor! Somos "inúteis", pois apenas cumprimos ordens, mas nada acrescentamos de nosso, Em comparação grosseira, digamos que duas pessoas se apresentem a um Banco, com certa importância na mão. A primeira vai quitar um empréstimo. Apesar de ter dado lucro ao estabelecimento, é "inútil" para o real progresso do Banco e não merece agradecimentos: cumpriu sua obrigação. O segundo é depositante novo, que confia sua conta à casa de crédito: esse sim, será útil, e merece a gratidão do banqueiro. Nesse exemplo verificamos quanto somos realmente "inúteis": estamos pagando empréstimos que fizemos, e não trazendo lucros extraordinários.

Anotemos que a palavra "inútil", em grego (achreíos) talvez fosse mais bem traduzida por "não-útil".

Se profundamente, em nossos corações, tivermos essa convicção, poderemos continuar colaborando com a Grande Fraternidade, porque apagamos nosso personalismo vaidoso e estamos "à disposição" de nossos Mestres e Senhores.

Neste ponto, acrescentemos uma observação.

Passa-se exatamente o mesmo nas relações entre a personagem e a individualidade, entre o pequeno "eu" e o EU verdadeiro, entre o espirito com um nome e o Espirito, cujo nome está no Livro da Vida. Nenhum direito a agradecimentos tem a personagem por ter cumprido seu dever de colaborar na evolução do EU; nenhum repouso lhe cabe, até que seu dever tenha sido integralmente cumprido; o regime não é de "assalariado" com tempo pré-fixado para a tarefa, mas de escravidão, com tempo integral dedicado ao Espírito. Não há férias, nem feriados, nem repouso remunerado: tudo para o Espirito, do Espírito e no Espirito.

Cumpramos nosso dever, sem buscar repouso, nem conforto, nem férias, nem divertimentos, prazeres, recompensas: a VIDA é superior à vida, o menos cede ao mais, o menor serve ao maior, a personagem só existe para que a Individualidade possa operar no planeta. Se esta é sua obrigação, deve ser cumprida à risca, com todo sacrifício. E no final de sua carreira, saibam nossos intelectos manifestar-se sinceramente: somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer".

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Como Programar as Transformações

"Quão pequena é a porta da vida! Quão apertado o seu caminho! E como são poucos os que a encontram!" (Mateus 7:13-14)
"Larga é a porta que leva aos desregramentos, porque as más paixões são numerosas e o caminho do mal é o mais concorrido. É estreita a da redenção, porque o homem que deseja transpô-la deve envidar grandes esforços a fim de vencer suas más inclinações, e poucos se resignam a isso. Completa-se a máxima: São muitos os chamados e poucos os escolhidos."
(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XVIII. Muitos os Chamados e Poucos os Escolhidos. A Porta Estreita.)


Fizemos, no capítulo III (Um método prático de Auto-análise), uma sugestão para aplicação de um processo em que fosse obtido o conhecimento dos nossos impulsos, reações, sentimentos, ações. Chegamos, então, a identificar as causas provocadoras daquelas efeitos que se manifestam no nosso íntimo e compreendemos, pela análise, os motivos e as consequências dos impulsos interiores. E desse momento em diante? O que vai acontecer?

Efetivamente, esse é o ponto inicial para realizarmos nossas transformações, isto é, pelo "conhecimento de si mesmo", mas todo trabalho de mudança propriamente dos hábitos, da maneira de agir, da conduta que estamos acostumados prossegue com o esforço da vontade, e em seguida, no transcorrer do tempo, sem limitações ou previsões de prazo.

Embora possamos conhecer nossos vícios e defeitos, as mudanças só se fazem com um trabalho perseverante e muita paciência. Aí está a nossa grande dificuldade: fazer das intenções, realizações efelivas. O procedimento esperado seria aquele da disposição firme e constante no rumo certo aos propósitos que tenhamos decidido tomar de auto-reformar-se, e então se dará início a uma luta corajosa de automodificaçoes que nem todos pretendem realizar ou estão decididamente preparados para realizar.

A maioria tende a abandonar, logo nos primeiros impedimentos, o objetivo formulado de início sempre com as melhores das promessas. Existem, naturalmente, aquelas predominâncias da nossa natuieza corpórea, ou seja: o comodismo, o desânimo, a preguiça, o "corpo mole".

Quando surgem as dificuldades, elas aparecem, principalmente porque es peramos resultados apressados e então achamos que o método não funcio na, não serve, não produz efeito. Perdemos o interesse, afastanio-nos dos propósitos admitindo que a falha está no processo, no método aplicado, e não em nós. Ë quase sempre assim. Dizemos para nós mesmos: ah! comi go não deu certo! Não vi resultados!

Outras vezes, nossos esforços vão um pouco além das intenções mas não estão suficientemente fortalecidos, seguem altos e baixos e os efeitos igualmente flutuam: em alguns momentos estamos animados e firmes, conseguimos mudar certas atitudes nos testes que defrontamos; em outras ocasiões caímos num desânimo total, balançamos e somos derrubados, falta-nos resistência e firmeza. E assim lá vamos nós, mais uma vez nos reerguendo na vontade, nos propósitos, retomando as rumos, firmando as disposições para reiniciar tudo novamente.

Esses desfalecimentos realmente podem chegar a abalar nossa auto confiança e nos deixar deprimidos. Entendamos, porém, que autopunição não ajuda e nem oferece estímulo a alguém. O jeito é levantar o ânimo, erguer a vontade e continuar a batalha, tantas vezes quantas forem as quedas ou fracassos. Na própria luta, no cair e levantar, vamos aumentando nossa tenacidade e nos fortalecendo. Diminui com o tempo o número das quedas e assim os resultados práticos, embora demorados, vão se obtendo.
Vejamos, no entanto, de que maneira o nosso esforço, ou o nosso desejo de auto-aprimoramento, pode ser canalizado com o fito de conseguir maior aproveitamento e melhores resultados.

Estabelecendo metas

Comecemos por definir o que deve e precisa ser modificado em nós: estabeleçamos nossas metas. Analisemos o que queremos modificar.

Começar enfrentando os vícios comuns

Vamos, então, fazer um levantamento e relacionar o que desejamos reformar intimamente. Um caminho sugerido é começar pelos hábitos ou vícios que ainda nos condicionam a satisfações ou necessidades prejudiciais ao nosso corpo e ao nosso espírito. Para facilitar, apresentamos, no final do capítulo, um quadro-resumo dos vícios estudados nos primeiros capítulos da II Parte: O que se pode transformar intimamente.

E, ao lado de cada um, como segue, a gradação ou intensidade do condicionamento ao qual estamos sujeitos, ou seja, se irresistível, predominante, moderado, fraco ou simplesmente não praticado.
Para percebermos melhor a nossa condição, vamos atribuir notas que colocaremos na coluna correspondente, dentro dos seguintes valores:

- Irresistível: Nota O
- Predominante: Nota 3
- Moderado: Nota 5
- Fraco: Nota 7
- Não Praticado: Nota 10

O valor das notas atribuídas é indicativo do nível de esforço que precisaremos desenvolver para libertarmo-nos dos vícios relacionados, isto é, notas O a 3: grande esforço; nota 5: esforço médio; nota 7: pequeno esforço.
Desse modo chegamos a uma lista dos vícios que queremos eliminar e já avaliamos o trabalho que deveremos desenvolver para cada um deles.

Fixando resultados progressivos

Os resultados progressivos têm sido causa de muito desânimo, motivos pelos quais abandonamos nossos propósitos, pelo fato de, ao estabelecer nossas metas, acharmos que as mudanças precisam ser drásticas e grandes. Mas, como quase sempre não conseguimos cumpri-las da noite para o dia, desiludimo-nos conosco, perdendo até a vontade e a coragem de continuar.

As nossas possibilidades de sucesso, nas mudanças pretendidas, crescem quando especificamos com clareza os resultados numéricos, definidos dentro de condições razoáveis ao nosso alcance, em escala decrescente e proporcional. Desse modo, podemos medir nossos progressos, o que aumenta a motivação e o entusiasmo próprio, fazendo crescer, com a força interior, a autoconfiança nas nossas conquistas e sentir as alegrias ao vencer cada etapa programada.
Podemos conduzir, então, o nosso trabalho em prazos ou períodos de tempo, tais como dia, semana, mês, bimestre, trimestre, semestre e ano.

Partimos de valores numéricos observados na nossa vida cotidiana, como por exemplo:

1. Fumo - quantos cigarros fumamos por dia?

2. Álcool — quantas vezes ingerimos por semana?

3. Jogo - quantas vezes praticamos por semana?

4. Gula — quantas vezes exageramos por semana?

5. Abusos Sexuais — quantas vezes cometemos por semana ou por mês?

6. Tóxicos - quantas vezes ingerimos por semana ou por
mês?

Fixamos, a partir daí, para os próximos períodos, resultados decrescentes, divididos em passos suficientemente pequenos, de modo a aumentar nossas possibilidades de progresso.

Podemos programar, assim, a eliminação daqueles vícios em espaços de tempo, como por exemplo:

1. Fumo — De oito a dezesseis semanas (dois a quatro meses)

2. Álcool — De oito a dezesseis semanas (dois a quatro meses)

3. Jogo — De oito a dezesseis semanas (dois a quatro meses)

4. Gula — De oito a vinte semanas (dois a cinco meses)

5. Abusos Sexuais - De oito a vinte semanas (dois a cinco meses)

6. Tóxicos - De oito a vinte semanas (dois a cinco meses)

Dependendo, portanto, da intensidade do nosso condicionamento, fazemos a nossa programação em maior ou menor tempo, de forma a chegarmos, no final do tempo estabelecido, com nota 10, isto é, zero número de vezes o referido vício, praticado, ou cometido. Exemplo: Um jovem que fumava de 30 a 40 cigarros por dia resolveu diminuir para 20 por dia nas quatro primeiras semanas.

Conseguiu com facilidade e passou a 15 por dia no mês seguinte. A partir de então, no terceiro mês, foi a 10 cigarros por dia nas duas primeiras semanas; a 5 por dia nas semanas seguintes. No quarto mês diminuiu para 4 por dia na primeira semana; 3 por dia na segunda semana; 2 por dia na terceira e, finalmente, na última semana, abandonou realmente o cigarro.

Fazendo uma programação geral

Uma questão poderá ser indagada: como distribuir o tempo entre os vícios? Atacar todos ao mesmo tempo?
Dependendo do número deles poderemos dividi-los em etapas compreendidas num período de doze, quatorze ou dezesseis meses.

Isso porque a concentração de esforços em cada um dos resultados fixados é fator de progresso nos nossos propósitos de libertação deles. Do mesmo modo, como a divisão em resultados menores e constantes facilita o trabalho de eliminação de cada vício, a distribuição de tempo em um por vez, em sequência razoável e exequível, é igualmente importante.

Dividindo-se, então, num Cronograma Mensal, possivelmente chegaremos à programação indicada.
A escolha da ordem sequencial ou das prioridades dos vícios a eliminar ficará a nosso critério individual. Temos, assim, em nossa programação, cerca de dezesseis meses para eliminar pelo menos quatro dos seis vícios indicados no quadro.
Podemos também marcar numa tabela os valores numéricos dos resultados progressivos que esperamos alcançar, na coluna P (previsões) e, depois, em letras vermelhas, os resultados reais conseguidos na coluna R. As comparações dos dois números nos farão sentir os progressos obtidos, o que é sempre estimulante. Estejamos também preparados para os presumíveis fracassos, que, ao ocorrerem, devem nos conduzir a maiores esforços e mais determinação.

É recomendável que os interessados mais descontraídos, não preocupados com o segredo dos seus vícios, tracem uma tabela semelhante em tamanho grande e afixem em local bem visível, no quarto, por exemplo, para reafirmar mentalmente os seus propósitos, repetindo, várias vezes, se desejar, algumas auto-sugestões, como estas, que também podem ser escritas no mesmo quadro:

Abandonarei o cigarro decididamente...
Evitarei a bebida corajosamente...
Deixarei o jogo firmemente...
Controlarei os excessos alimentares tranquilamente...
Empregarei responsavelmente minhas energias sexuais...
Largarei destemidamente os tóxicos...
A prática do orar no propósito de vigiar


Nesse ato de reafirmação diária, que precisamos praticar, por alguns minutos que seja, ao renovarmos o desejo de conseguir vencer no transcorrer daquele dia os nossos condicionamentos, procuremos a sintonia com os Amigos Espirituais, abrindo o nosso coração a Jesus, na intenção de recorrer ao apoio maior da Espiritualidade, no esforço que estamos fazendo de libertação das nossas fraquezas.

Oremos, com a melhor das nossas intenções, com toda emoção, e recebamos o influxo das energias suaves que nos serão dirigidas em sustentação aos nossos propósitos.

Prosseguir removendo defeitos

Nosso empenho prossegue, agora, no terreno dos defeitos, como meta seguinte, na abordagem que continuamos fazendo do que deve ser transformado interiormente.

A experiência que já acumulamos na libertação dos vícios comuns nos fortalecem enormemente na atívidade de conduzir praticamente a força de vontade. Sentimos que somos capazes de vencer condicionamentos que antes acreditávamos ser insuperáveis. A autoconfiança cresceu, as nossas possibilidades de êxito aumentaram; andamos sobre terreno já conhecido e até certo ponto dominado, mas não paramos aí; precisamos continuar o trabalho já iniciado.

De modo análogo, vamos relacionar os defeitos mais evidentes em todos nós, que podem ser enquadrados e também apresentados.
Atribuímos também as mesmas notas já mencionadas, que indicarão o maior ou menor esforço a ser dedicado na dissipação dos citados defeitos.

Examinar um defeito por vez

Ao preencher o Quadro (resumo dos Defeitos), para sermos coerentes, necessitamos de tempo para um exame isolado, independente, de cada um deles relacionados, e assim apurar o grau de intensidade com que eles acontecem, em circunstâncias comuns, nas três citadas áreas de ação, ou seja, na família, no trabalho e na sociedade.

Achamos que é importante fazer esse preenchimento com a maior fidelidade possível, isso porque o Quadro servirá de referência para a posterior distribuição particularizada daqueles defeitos, dentro de uma ordem de prioridades, num Plano Geral de Ação.

Cremos ser suficiente atentarmos num prazo de cinco a sete dias, de maneira específica, a cada um da lista dos quinze, para então fazermos uma primeira análise de como nos encontramos relativamente aos mesmos. Como já descrevemos nos capítulos anteriores, as principais características deles, uma relida em cada página é recomendada ao iniciarmos o trabalho de prospecção, que continuará pêlos dias mencionados. Façamos indagações a nós mesmos, tais como:

1 - Aonde manifestou-se (tal defeito)?

2 - Em quais circunstâncias?

3 - Com que intensidade? Profunda ou Superficial?

4 - Com que frequência tem ocorrido? Quantas vezes?

5 - Quais os motivos ou causas? O que fez acontecer?

6 - Posso contê-lo?

7 - Quando ocorreu, foi demorado ou passageiro?

8 - Surge repentina e inesperadamente?

9 - Tomo conhecimento dele antes de ocorrer?

10 - Deixou-me triste ou deprimido?

11 - Deixou-me indiferente?

12 - Tentei dominá-lo?

13 - Prejudiquei alguém?

14 - Deixei alguém triste, infeliz, magoado?

15 - Senti arrependimento?

Podemos aquilatar o modo como os defeitos atuam em nós pelas respostas dadas àquelas, dentro dos seguintes resultados:

I - Irresistível (nota 0):

- Pergunta 3 - profundo
- Pergunta 6 - não
- Pergunta 8 - sim
- Pergunta 9 - não

II - Predominante (nota 3):

- Pergunta 3 - profundo
- Pergunta 4 - bastante frequente
- Pergunta 7 - demorado

III - Moderado (nota 5):

- Pergunta 3 - superficial
- Pergunta 4 - pouco frequente
- Pergunta 7 - passageiro
- Pergunta 9 - sim

IV- Fraco (nota 7):

- Pergunta 3 - muito superficial
- Pergunta 4 - pouquíssimo frequente (eventual)
- Pergunta 6 - sim
- Pergunta 7 - fugaz
- Pergunta 8 - não (de modo discreto)
- Pergunta 9 - sim (é perceptível)
- Pergunta 12 - (é controlável)

Assim procedento, de 75 a 105 dias intensivos, teremos realizado o levantamento dos nossos defeitos e preenchido o Quadro (resumo dos Defeitos). Teremos também conseguido uma qualificação daqueles defeitos mais acentuados que procuraremos de preferência logo enfrentar, isto é, se quisermos seguir esse critério. Começar pelos menos evidentes, pelos moderados e fracos pode ser um bom caminho, pois poderemos sentir efeitos mais encorajadores dentro das nossas condições, e assim, alicerçarmos com maior firmeza os nossos progressos.

PLANO GERAL DE AÇÃO PARA COMBATER AOS DEFEITOS:

Dessa forma programamos, num Plano Geral de Ação, a ordem sequencial dos defeitos a serem mais especificamente trabalhados em determinados espaços de tempo, digamos, por mês, bimestre ou trimestre, como sugerido no Cronograma indicado no Quadro n° 5.

Entendemos que o nosso trabalho de reforma íntima não se conclui apenas em um, dois ou três meses de auto-observação sobre cada tipo de defeito, mas ao dedicarmos, nesses prazos, maior atenção a cada um particularmente, assim exerceremos maiores esforços concentrados, que nos proporcionarão melhor identificação e domínio das suas manifestações. Teremos, então, obtido maior "conhecimento de causa" que, em seguida, agirá em nós como mecanismos automatizados de combate.

Esse trabalho intensivo e concentrado pode não ser fácil para muitos dos Aprendizes do Evangelho, mas é a "porta estreita" por onde teremos um dia que passar, quando decidirmos agir. E quem começa se orientando sozinho deve ter em mente que a ação, ao contrário das palavras e intenções, é a base do aprendizado. E ninguém obtém efeitos práticos sem criar, idealizar e planejar a sua própria auto-reforma, porque assim fazendo aumentamos as nossas possibilidades de crescer espiritualmente e de desenvolver nossas potencialidades.

O que aqui apresentamos é apenas um dos meios, entre outros que possam ser criados pelos interessados, ao planejar sua reforma moral.

Como contar as ocorrências dos defeitos

Vamos tentar quantificar o número de ocorrências em que aparecem os nossos defeitos por dia e por semana. Volta aqui a importância de sermos observadores de nós mesmos.
Podemos admitir que entre os três diferentes métodos seguintes, um pelo menos poderá ser utilizado na auto-observação: 1° observar os acontecimentos, contando o número de ocorrências; 2° observar a duração de um acontecimento, anotando o tempo da
ocorrência; observar o número de acontecimentos que ocorrem num determinado espaço de tempo.

No primeiro: contamos o número de vezes por dia, no transcurso de uma semana, que os incidentes despontam dentro de nós. Por exemplo, sentimentos de orgulho, de vaidade, inveja, ciúme, avareza, ódio, remorsos, vingança, agressividade, personalismo, intolerância, impaciência, negligência, ociosidade ou, ainda, o número de vezes que tenhamos sido maledicentes.
Evidentemente nos concentraremos isoladamente num deles, por vez.

No segundo: preocupamo-nos em avaliar o tempo de duração em que tenhamos permanecido por dia, numa semana, com os sentimentos de orgulho, inveja, ciúme, ódio, remorsos, vingança, agressividade, impaciência (irritação), ociosidade (preguiça) ou, ainda, o tempo despendido na maledicência.

No terceiro: delimitamos um período de tempo, num horário escolhido convenientemente, para cada dia de observação numa semana, anotando, assim, o número de acontecimentos por amostragem, ou seja, prestamos atenção, apenas naquele horário do dia, no número de vezes em que os nossos sentimentos ou reações dos citados defeitos surgem.

As observações poderão ser divididas em três áreas de ação: na família, no trabalho e na sociedade. O resultado na contagem será a soma do apurado nessas três áreas.
Cada interessado, no seu caso particular, descobrirá qual o método que mais funciona e, portanto, o que preferirá aplicar. A partir do momento em que tenhamos apontado com exatidão o que queremos mudar, sa beremos escolher a maneira de contar as suas manifestações.

Uma regra básica é sugerida para escolha do método de aplicação: se o impulso, pensamento ou atitude de comportamento ocorrem trinta ou menos vezes por dia, de forma nítida e separadamente, use o primeiro, anotando o número de vezes. Se ocorrem mais de trinta vezes por dia, use o terceiro (amostragem num horário prefixado). Se o acontecimento não é fácil de contar ou permanece vários minutos por vez, empregue o segundo método, contando a soma dos tempos que leva no dia inteiro.

A exatidão da contagem

Parece fácil, mas se confiarmos na memória e deixarmos para fazer nossas anotações no final do dia, certamente a nossa contagem será inexata. Para tal, recorramos a cartões ou fichas em que tracinhos possam ser riscados de imediato, assim que o defeito aconteça. No final do dia apenas somaremos os tracinhos, anotando o total.
Podemos adotar o processo de ter um pequeno cartão, discreto, para cada defeito.

Como registrar as contagens - diagrama.

Chegaremos, ao final de cada semana, a valores numéricos das ocorrências e, então, precisaremos, após várias semanas, fazer uma comparação das observações anotadas. Podemos nos utilizar de um diagrama, em que a representação gráfica, numa simples olhada, dá-nos idéia do nosso comportamento e, com o tempo, a evolução dos progressos que estamos realizando nas mudanças.
Marcaremos um ponto na vertical que sai do número correspondente à semana de observação, na altura em que cruzar com o número de ocorrências.

Ligando-se os pontos marcados, teremos desenhado o nosso diagrama de registro das contagens. Naturalmente procuraremos desenhar um diagrama de controle para cada defeito independentemente ou, no mínimo, para os defeitos mais acentuados.
Certamente o número de ocorrências, pelo nosso trabalho, tendendo a diminuir com o desenrolar das semanas, ao unir os pontos marcados no gráfico, formará uma linha cuja inclinação vai baixando para o lado direito.

Coloquemos esses gráficos à nossa vista, para diariamente mentalizar o que precisamos cuidar, de modo a obter valores sempre decrescentes e então registrar marcas, ou pontos menores, pois é um meio de nos ajudar a fixar persistentemente o que pretendemos.
Podemos também formular algumas auto-sugestões, que cada um as elaborará especificamente a cada necessidade individual e em particular.

Exemplo: Diagrama — Defeito: Agressividade
Tomemos como defeito a combater, a agressividade.
Utilizando-se da ficha para controle das ocorrências, realizamos semanalmente a apuração do número de vezes em que a agressividade manifestou-se em nós. Nessa contagem não levemos em conta a intensidade com que o defeito tenha ocorrido; no entanto, o enumeramos quando surgir nas seguintes ocasiões: em casa, com os familiares; no trabalho, com os colegas; na sociedade, em contato com o público em geral (trânsito, nos transportes coletivos, com atendentes de lojas ou em escritórios), em contato com amigos nas agremiações, condomínios, associações ou grupos religiosos aos quais pertençamos.
Desse modo, admitamos ter chegado aos seguintes resultados:

lª semana: 18 ocorrências
2ª semana: 14 ocorrências
3ª semana: 13 ocorrências
4ª semana: 10 ocorrências
5ª semana: 8 ocorrências
6ª semana: 6 ocorrências
7ª semana: 4 ocorrências

Marcamos, na linha horizontal, os intervalos correspondentes às semanas e aos meses (de centímetro a centímetro). O eixo vertical também o dividimos em segmentos iguais — correspondentes ao número de ocorrências (a cada centímetro, duas ocorrências).

Os valores acima indicados são, então, registrados graficamente, construindo-se os pontos ao ligar as linhas verticais de cada semana com as horizontais dos números de ocorrências.

Temos, assim, os pontos A, B, C, D, E, F, G. Unindo-se esses pontos, temos uma linha irregular descendente representando o diagrama do nosso comportamento no que se refere à agressividade.
Podemos continuar por mais algumas semanas, até manter valores bons ou ótimos, se possível, quando então a linha decrescente se representará por um trecho reto horizontal. A constância no controle do defeito realizará progressivamente a automatização das nossas próprias contenções que, com o tempo, serão espontâneas e naturais, o que caracteriza a eliminação do defeito.

A diminuição das ocorrências

Sem dúvida, estamos atentos que defeitos incrustados há tanto tempo, aos quais possivelmente nos acostumamos, não se modificam repentinamente, e podemos até levar mais de uma existência para deles nos livrar. O nosso trabalho nesse aspecto é permanente e de efeitos demorados. Assim sendo, já nos contentamos com a diminuição progressiva das ocorrências que vinham se registrando, e todo o nosso empenho será em função de reduzi-las cada vez mais. Dizer, no entanto, ou mesmo estabelecer dados -numéricos previsíveis, prefixados, como fizemos com os vícios, achamos delicado aqui recomendar, em se tratando dos defeitos, cujas extensões e intensídades podem variar muito de pessoa a pessoa, ou, ainda, alguns deles podem estar vinculados a processos reencarnatórios crônicos de difícil eliminação.

Deixamos, evidentemente, ao critério de cada um fazer a sua programação, que pode ser, mesmo assim, estabelecendo metas próprias, referidas a número de ocorrências dos seus defeitos, buscando a sua redução permanente, até atingir índices que, dentro da sua análise comparativa pessoal, sejam classificados em ótimos, bons, razoáveis, sofríveis ou péssimos.

Compreendemos, naturalmente, que o resultado "sofrível" de um pode ser considerado "bom" para outro que luta com maior predominância de um defeito em particular. Ou, quem identifica um defeito com a intensidade de "moderado", nota 5 por exemplo, um mesmo resultado considerado "razoável" de ocorrências pode representar um valor "ótimo" para outro que apresente uma intensidade "irresistível" (nota 0).

De qualquer modo, o processo é válido e a sua aplicação, muito proveitosa, pois a representação numérica e gráfica nos dá uma avaliação visual imediata do nosso trabalho de reforma íntima, nos ajudando grandemente a obter resultados práticos cada vez melhores. Ë um meio de convertermos nossas boas intenções em proposições concretas.

A auto-observação e o mecanismo de contagem dos momentos em que os nossos defeitos se manifestam são instrumentos valiosos de auxí lio para realizarmos as mudanças de conduta que tanto desejamos. É aquele "conhece-te a ti mesmo" ensinado desde Sócrates, controlado graficamente, representado por dados objetivos.

O cultivo das virtudes

Pode parecer que devamos nos preocupar apenas com o nosso lado inferior, com os vícios e os defeitos, que na nossa relativa condição evolutiva são ainda predominantes em relação às virtudes. Não se trata de realçarmos os nossos aspectos negativos, como se poderia supor, até como um processo de culpar-se a si mesmo, que não ajuda ninguém a melhorar.

"Encerra a virtude, no seu mais elevado grau, o conjunto das qualidades essenciais que caracterizam o homem de bem. Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio e modesto são qualidades do homem virtuoso. Infelizmente, tais qualidades são, com frequência, acompanhadas de pequenas fraquezas morais, que as emperram e lhes tiram o brilho." (Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XVII. Sede Perfeitos. A Virtude.)

O que nos motiva é proporcionar, a quem esteja interessado em mudar seu comportamento e fazer algum esforço sério em melhorar, o encontro de alguns meios que o auxiliem a encetar por essa trilha, até mesmo sozinho. Desse modo, aqueles que estão muito satisfeitos com a vida que levam, sem problemas pessoais, famüiares, sem angústias, sofrimentos ou ansiedades, sem distúrbios emocionais que os incomodem, ou seja, acomodados nos seus hábitos, dando vazão ao que sentem e querem, continuar seguindo os seus impulsos, indiferentes ao sofrimento alheio, circunscritos ao seu mundo e ao dos seus imediatamente próximos, esses certamente não têm com que se preocupar e nem sentem necessidade de mudar, nem mesmo suas pequenas fraquezas morais com frequência manifestadas.

Quem, então, chegou ao ponto de querer fazer transformações para sair dos estados íntimos de conflito e insatisfações, desejando, portanto, tomar atitudes renovadoras, precisa começar tomando conhecimento e agindo sobre as causas seculares dos nossos males, as torpezas e fraquezas que têm desviado sucessivamente a Humanidade, e contra as quais apontamos nossas armas de combate.

Mostramos, então, "o que mudar" e "como mudar". Agora, vamos enfeixar, num esquema inteligível, "para onde mudar". Em outras palavras, fazer um confronto dos padrões ou caracteres essenciais que constituem virtudes, e que devem tomar o lugar dos já citados defeitos a elas opostos. É como o lavrador: começa por preparar o terreno, desmatando, destocando, limpando, removendo as ervas daninhas, os espinhos, os pedregulhos, para depois revolver, adubar, semear e irrigar sempre. A partir disso é que o cultivo germinará, crescerá, florescerá, frutificará e reproduzirá.

Aquele nosso trabalho inicial de enfrentar os vícios comuns e depois prosseguir removendo os defeitos humanos mais evidentes equivale à limpeza e à preparação do nosso terreno íntimo para o cultivo das virtudes, que corresponde à adubação, semeadura e irrigação constantes. Devem-se acrescentar os cuidados permanentes na lavoura de não deixar crescer o mato em volta e de espantar os pássaros que picam as tenras folhas, assim comparados às frequentes pequenas fraquezas morais que muitas vezes podem empanar e tirar o brilho das virtudes, isto é, a ostentação, a exaltação das obras, a exteriorização da satisfação íntima no bem praticado, para provocar elogios, sentimentos de orgulho, de vaidade, de amor-próprio, que deslustram sempre as mais belas qualidades e anulam o mérito real de quem as tenha praticado, pois, "mais vale menos virtude com modéstia, que muita com orgulho".

É o que nos afirma François Nicolas Madeleine (Paris, 1863). (Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XVII. Sede Perfeitos. A Virtude.)
Desse modo, vamos aplicar ao serviço já iniciado o nosso adubo e a nossa irrigação à semeadura que estamos fazendo em nosso espírito carente de renovação.

As virtudes já estudadas nos são apresentadas como os modelos a seguir, na substituição que procuraremos efetuar dos nossos modos de agir. Isto é, em lugar:

de orgulho — humildade,
de vaidade — modéstia, sobriedade,
de inveja — resignação,
de ciúme — sensatez, piedade,
de avareza — generosidade, beneficência,
de ódio - afabilidade, doçura,
de remorsos - compreensão,tolerância,
de vingança - perdão,
de agressividade - brandura, pacificação,
de personalismo -companheirismo, renúncia,
de maledicência - indulgência,
de intolerância - misericórdia,
de impaciência - paciência, mansuetude,
de negligência - vigilância, abnegação,
de ociosidade - dedicação, devotamento.

COMO SUBSTITUIR DEFEITOS POR VIRTUDES?

Em decorrência do trabalho já desenvolvido na prática da auto-análise e da auto-observação, com os esforços empregados na eliminação dos vícios e na diminuição dos defeitos, certamente chegamos a intensificar interiormente aqueles diálogos com a própria consciência, desse modo substancialmente dinamizada.

Resta-nos conduzir agora as nossas reflexões, dosando e abastecendo a consciência com os conhecimentos característicos das virtudes, como modelos de comportamento a atingir. Assim canalizamos a vontade, o interesse, o empenho, com nossa energia, para conseguirmos mudar, ou substituir, a reação ou o impulso deletério, pela correspondente virtude que se procura antepor.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Depressão

Generalidades
Depressão é uma palavra freqüentemente usada para descrever nossos sentimentos. Todos se sentem "para baixo" de vez em quando, ou de alto astral às vezes e tais sentimentos são normais. A depressão, enquanto evento psiquiátrico é algo bastante diferente: é uma doença como outra qualquer que exige tratamento. Muitas pessoas pensam estar ajudando um amigo deprimido ao incentivarem ou mesmo cobrarem tentativas de reagir, distrair-se, de se divertir para superar os sentimentos negativos. Os amigos que agem dessa forma fazem mais mal do que bem, são incompreensivos e talvez até egoístas. O amigo que realmente quer ajudar procura ouvir quem se sente deprimido e no máximo aconselhar ou procurar um profissional quando percebe que o amigo deprimido não está só triste.
Uma boa comparação que podemos fazer para esclarecer as diferenças conceituais entre a depressão psiquiátrica e a depressão normal seria comparar com a diferença que há entre clima e tempo. O clima de uma região ordena como ela prossegue ao longo do ano por anos a fio. O tempo é a pequena variação que ocorre para o clima da região em questão. O clima tropical exclui incidência de neve. O clima polar exclui dias propícios a banho de sol. Nos climas tropical e polar haverá dias mais quentes, mais frios, mais calmos ou com tempestades, mas tudo dentro de uma determinada faixa de variação. O clima é o estado de humor e o tempo as variações que existem dentro dessa faixa. O paciente deprimido terá dias melhores ou piores assim como o não deprimido. Ambos terão suas tormentas e dias ensolarados, mas as tormentas de um, não se comparam às tormentas do outro, nem os dias de sol de um, se comparam com os dias de sol do outro. Existem semelhanças, mas a manifestação final é muito diferente. Uma pessoa no clima tropical ao ver uma foto de um dia de sol no pólo sul tem a impressão de que estava quente e que até se poderia tirar a roupa para se bronzear. Este tipo de engano é o mesmo que uma pessoa comete ao comparar as suas fases de baixo astral com a depressão psiquiátrica de um amigo. Ninguém sabe o que um deprimido sente, só ele mesmo e talvez quem tenha passado por isso. Nem o psiquiatra sabe: ele reconhece os sintomas e sabe tratar, mas isso não faz com que ele conheça os sentimentos e o sofrimento do seu paciente.

Como é?
Os sintomas da depressão são muito variados, indo desde as sensações de tristeza, passando pelos pensamentos negativos até as alterações da sensação corporal como dores e enjôos. Contudo para se fazer o diagnóstico é necessário um grupo de sintomas centrais:

  • Perda de energia ou interesse
  • Humor deprimido
  • Dificuldade de concentração
  • Alterações do apetite e do sono
  • Lentificação das atividades físicas e mentais
  • Sentimento de pesar ou fracasso

Os sintomas corporais mais comuns são sensação de desconforto no batimento cardíaco, constipação, dores de cabeça, dificuldades digestivas. Períodos de melhoria e piora são comuns, o que cria a falsa impressão de que se está melhorando sozinho quando durante alguns dias o paciente sente-se bem. Geralmente tudo se passa gradualmente, não necessariamente com todos os sintomas simultâneos, aliás, é difícil ver todos os sintomas juntos. Até que se faça o diagnóstico praticamente todas as pessoas possuem explicações para o que está acontecendo com elas, julgando sempre ser um problema passageiro.

Outros sintomas que podem vir associados aos sintomas centrais são:

  • Pessimismo
  • Dificuldade de tomar decisões
  • Dificuldade para começar a fazer suas tarefas
  • Irritabilidade ou impaciência
  • Inquietação
  • Achar que não vale a pena viver; desejo de morrer
  • Chorar à-toa
  • Dificuldade para chorar
  • Sensação de que nunca vai melhorar, desesperança...
  • Dificuldade de terminar as coisas que começou
  • Sentimento de pena de si mesmo
  • Persistência de pensamentos negativos
  • Queixas freqüentes
  • Sentimentos de culpa injustificáveis
  • Boca ressecada, constipação, perda de peso e apetite, insônia, perda do desejo sexual

Diferentes tipo de depressão
Basicamente existem as depressões monopolares (este não é um termo usado oficialmente) e a depressão bipolar (este termo é oficial). O transtorno afetivo bipolar se caracteriza pela alternância de fases deprimidas com maníacas, de exaltação, alegria ou irritação do humor. A depressão monopolar só tem fases depressivas.

Depressão e doenças cardíacas
Os sintomas depressivos apesar de muito comuns são pouco detectados nos pacientes de atendimento em outras especialidades, o que permite o desenvolvimento e prolongamento desse problema comprometendo a qualidade de vida do indivíduo e sua recuperação. Anteriormente estudos associaram o fumo, a vida sedentária, obesidade, ao maior risco de doença cardíaca. Agora, pelas mesmas técnicas, associa-se sintoma depressivo com maior risco de desenvolver doenças cardíacas. A doença cardíaca mais envolvida com os sintomas depressivos é o infarto do miocárdio. Também não se pode concluir apressadamente que depressão provoca infarto, não é assim. Nem todo obeso, fumante ou sedentário enfarta. Essas pessoas enfartam mais que as pessoas fora desse grupo, mas a incidência não é de 100%. Da mesma forma, a depressão aumenta o risco de infarto, mas numa parte dos pacientes. Está sendo investigado.

Depressão no paciente com câncer
A depressão costuma atingir 15 a 25% dos pacientes com câncer. As pessoas e os familiares que encaram um diagnóstico de câncer experimentarão uma variedade de emoções, estresses e aborrecimentos. O medo da morte, a interrupção dos planos de vida, perda da auto-estima e mudanças da imagem corporal, mudanças no estilo social e financeiro são questões fortes o bastante para justificarem desânimo e tristeza. O limite a partir de qual se deve usar antidepressivos não é claro, dependerá da experiência de cada psiquiatra. A princípio sempre que o paciente apresente um conjunto de sintomas depressivos semelhante ao conjunto de sintomas que os pacientes deprimidos sem câncer apresentam, deverá ser o ponto a partir do qual se deve entrar com medicações.
Existem alguns mitos sobre o câncer e as pessoas que padecem dele, tais como"os portadores de câncer são deprimidos". A depressão em quem tem câncer é normal, o tratamento da depressão no paciente com câncer é ineficaz. A tristeza e o pesar são sentimentos normais para uma pessoa que teve conhecimento da doença. Questões como a resposta ao tratamento, o tempo de sobrevida e o índice de cura entre pacientes com câncer com ou sem depressão estão sendo mais enfocadas do que a investigação das melhores técnicas para tratamento da depressão.
Normalmente a pessoa que fica sabendo que está com câncer torna-se durante um curto espaço de tempo descrente, desesperada ou nega a doença. Esta é uma resposta normal no espectro de emoções dessa fase, o que não significa que sejam emoções insuperáveis. No decorrer do tempo o humor depressivo toma o lugar das emoções iniciais. Agora o paciente pode ter dificuldade para dormir e perda de apetite. Nessa fase o paciente fica ansioso, não consegue parar de pensar no seu novo problema e teme pelo futuro. As estatísticas mostram que aproximadamente metade das pessoas conseguirá se adaptar a essa situação tão adversa. Com isso estas pessoas aceitam o tratamento e o novo estilo de vida imposto não fica tão pesado.

A identificação da depressão
Para afirmarmos que o paciente está deprimido temos que afirmar que ele sente-se triste a maior parte do dia quase todos os dias, não tem tanto prazer ou interesse pelas atividades que apreciava, não consegue ficar parado e pelo contrário movimenta-se mais lentamente que o habitual. Passa a ter sentimentos inapropriados de desesperança desprezando-se como pessoa e até mesmo se culpando pela doença ou pelo problema dos outros, sentindo-se um peso morto na família. Com isso, apesar de ser uma doença potencialmente fatal, surgem pensamentos de suicídio. Esse quadro deve durar pelo menos duas semanas para que possamos dizer que o paciente está deprimido.

Causa da Depressão
A causa exata da depressão permanece desconhecida. A explicação mais provavelmente correta é o desequilíbrio bioquímico dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor. Esta afirmação baseia-se na comprovada eficácia dos antidepressivos. O fato de ser um desequilíbrio bioquímico não exclui tratamentos não farmacológicos. O uso continuado da palavra pode levar a pessoa a obter uma compensação bioquímica. Apesar disso nunca ter sido provado, o contrário também nunca foi.
Eventos desencadeantes são muito estudados e de fato encontra-se relação entre certos acontecimentos estressantes na vida das pessoas e o início de um episódio depressivo. Contudo tais eventos não podem ser responsabilizados pela manutenção da depressão. Na prática a maioria das pessoas que sofre um revés se recupera com o tempo. Se os reveses da vida causassem depressão todas as pessoas a eles submetidos estariam deprimidas e não é isto o que se observa. Os eventos estressantes provavelmente disparam a depressão nas pessoas predispostas, vulneráveis. Exemplos de eventos estressantes são perda de pessoa querida, perda de emprego, mudança de habitação contra vontade, doença grave, pequenas contrariedades não são consideradas como eventos fortes o suficiente para desencadear depressão. O que torna as pessoas vulneráveis ainda é objeto de estudos. A influência genética como em toda medicina é muito estudada. Trabalhos recentes mostram que mais do que a influência genética, o ambiente durante a infância pode predispor mais as pessoas. O fator genético é fundamental uma vez que os gêmeos idênticos ficam mais deprimidos do que os gêmeos não idênticos.


Na Visão espírita, o que seria a depressão?
- A conceituação de depressão para o Espiritismo é a mesma que a Medicina dá, isto é, o conjunto de sinais e sintomas depressivos (tristeza, falta de prazer, insônia, perda do apetite, choro fácil, etc.) que duram por mais de 2 semanas, sem fator desencadeante muito claro (luto, por exemplo).
A diferença é que, o Espiritismo investiga as diversas causas espirituais dessa doença.
Considerando que todos somos imortais, e que reencarnamos várias vezes para desenvolver nossos potenciais sempre evoluindo, as causas reais de qualquer doença encontram-se nesta ou numa existência anterior.
O Espiritismo considera que a depressão é uma doença com componentes orgânicos e psicológicos.
Nesse sentido, o Espírito pode reencarnar com a predisposição (adquirida em outra reencarnação) de desenvolver a depressão, bastando poucos fatores precipitantes para desencadear a síndrome.
Entretanto, a depressão pode ser adquirida, inconscientemente, sem o paciente perceber, na própria reencarnação.
No caso particular da depressão, devemos lembrar dois componentes geradores de doenças: a influência do próprio Espírito encarnado (o paciente) que, através de pensamentos negativos, desenvolve distúrbios orgânicos, e a influência da obsessão.
Na visão espírita, todos nós somos mais ou menos médiuns, ou seja, possuímos em maior ou menor grau a mediunidade, que é faculdade humana natural (orgânica) de perceber Espíritos desencarnados (que já deixaram o corpo no momento da morte).
O Espiritismo nos esclarece que a Obsessão é uma síndrome muito prevalente na população, mas pouco diagnosticada, que se apresenta como o conjunto de distúrbios psicológicos e psiquiátricos decorrentes da ligação mental que se estabelece entre o paciente encarnado (nós, que ainda possuímos o corpo) e um (ou mais) desencarnado.
Na verdade, poderíamos estender esse conceito para qualquer relação mental e psicológica inter-encarnados, inter-desencarnados, do encarnado para o desencarnado ou vice-versa que prejudica a saúde mental de ambos.
Um Espírito obsessor pode ter vários motivos para obsediar um encarnado. Em nossas várias reencarnações criamos numerosos vínculos e afectos, nem sempre saudavelmente, representando uma semeadura que certamente colheremos mais tarde.
Quando um desafeto vê-se prejudicado, e não compreende as soberanas leis da natureza e da Justiça Divina, procura o encarnado "criminoso", mesmo depois, em outras reencarnações, para vingar-se.
A vingança é uma das maiores causas de obsessão relatada.
Há também outros motivos que se somam, como o "parasitismo" mental pelo prazer, a paixão e o ódio, etc.
Naturalmente, o obsessor, por definição óbvia, estará sempre em maior perturbação.
O encarnado, por sua vez, receberá esse "ataque" mental e sofrerá por isso se, e somente se, o permitir. Isto é, o campo mental propício do encarnado dá acesso para o desencarnado interferir.
Pensamentos ociosos, ambientes viciantes, conversações levianas, supérfluas e frívolas, clichês mentais e degradantes possibilitam um campo de fácil atuação ao obsessor.
Cultivar o hábito da prece, vigilância de pensamentos, conversações nobres, controle dos impulsos, leituras edificantes e saudáveis, estudar páginas do Evangelho no lar, etc., são os recursos terapêuticos mais eficazes na prevenção e tratamento das obsessões.
Para complementar, o paciente, se desejar, também pode procurar uma casa espírita onde encontrará um serviço de atendimento fraterno, poderá participar de palestras, receber fluidoterapia (passes magnéticos e água fluidificada) para fortalecê-lo externa e internamente.
Se for necessário, o caso poderá ser levado às reuniões mediúnicas espíritas, em que o obsessor é convidado a dialogar através de médiuns treinados para que ele também possa ser atendido e liberar-se da idéia de perturbação.
Assim, recomendamos fortemente que você analise essas questões, observe aquilo que está sentindo e busque a melhor terapia que lhe fará maior bem, tanto no para o lado material (médico, psiquiátrico) quanto do lado espiritual, buscando, acima de tudo, resolver as causas da problemática atual.
Que Jesus, o sublime médico das almas, nos fortaleça e nos ampare nas nossas dores.

Reforma Íntima: Estabelecendo as Bases

"A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: 'Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem', ou seja, fazer o bem e não fazer o mal. O homem encontra nesse principio a regra universal de conduta, mesmo para as menores ações."
(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Introdução VI. Resumo da Doutrina dos Espíritos.)

Naquela Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, resumindo as suas bases fundamentais, o codificador, no final do item VI, expõe que os Espíritos "nos ensinam que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, desde este mundo, se liberta da matéria, pelo desprezo para com as futilidades mundanas e o cultivo do amor ao próximo, se aproxima da natureza espiritual. E que cada um de nós deve tornar-se útil, segundo as faculdades e os meios que Deus nos colocou nas mãos para nos provar; que o Forte e o Poderoso devem apoio e proteção ao Fraco, porque aquele que abusa da sua força e do seu poder, para oprimir o seu semelhante, viola a lei de Deus".

Eles ensinam, enfim, "que no mundo dos Espíritos, nada podendo estar escondido, o hipócrita será desmascarado e todas as suas torpezas reveladas; que a presença inevitável e em todos os instantes daqueles que prejudicamos é um dos castigos a nós reservados; que aos estados de inferioridade e de superioridade dos Espíritos correspondem penas e alegrias que nos são desconhecidas na terra".
Mas eles nos ensinam também "que não há faltas irremissíveis que não possam ser apagadas pela expiação. O homem encontra o meio necessário, nas diferentes existências, que lhe permite avançar, segundo o seu desejo e os seus esforços, na via do progresso, em direção à perfeição, que é o seu objetivo final".

O que depreendemos dessa importante síntese constitui precisamente o roteiro deste opúsculo. De início procuramos evidenciar, trazendo aos níveis do consciente, as manifestações características da nossa natureza animal: os vícios e os defeitos que denotam a predominância corpórea. Depois, o conhecimento das virtudes que nos libertam, pelo seu cultivo, das futilidades mundanas, e nos predispõem a exercer o amor ao próximo, desenvolvendo, assim, a nossa natureza espiritual. Os meios práticos para exercitarmos as nossas faculdades, nos esforços que nos permitam progredir em direção à perfeição, é o que indicamos. A necessidade imperiosa de nos tornarmos úteis em todos os sentidos, levando a nossa contribuição ao próximo, cultivando o verdadeiro espírito da caridade desinteressada, está igualmente inserida.

São exatamente "os meios necessários" que desejamos colocar à disposição dos amigos interessados em realizar o seu desenvolvimento moral, entendendo que o mundo em que vivemos, longe da perfeição, está muito mais envolvido nos erros. Erros que são importantes, pois nos levam a distinguir a verdade, nas lições da experiência humana, e que nos permitem fazer as nossas escolhas, propiciando-nos o adiantamento progressivo na senda do espírito. Errar menos, ou ainda, evitar a repetição de erros anteriores, é uma preocupação que pode conduzir-nos a recuperar muito tempo já perdido. Esse também é um enfoque prioritário a objetivar, pois encontramo-nos todos na condição de ajustar nossos débitos, somando méritos, no avanço que carecemos. Na realidade, não é grande o esforço que precisamos desenvolver. Até com pouco trabalho poderemos vencer as nossas más tendências, mas o que nos falta é a vontade. Porém, essa vontade também podemos cultivar. E um dos métodos para isso é o da auto-sugestão, como veremos adiante.

As bases da Transformação Intima estão com Kardec, que eleva e dá cumprimento à moral de Jesus no "fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem". Regra universal de conduta, até mesmo para as menores ações, que nos deve pautar em nosso relacionamento. Os questionários de avaliação individual nos levam a refletir, trazendo à consciência os defeitos mais evidentes a serem corrigidos. A maioria destes defeitos é comum, e quase sempre acham-se ocultos sob a forma de torpezas inconscientemente sepultadas.

A auto-avaliação progressiva nos faz ver, periodicamente, o amadurecimento conquistado pelo próprio esforço em melhorar, proporcionando-nos o estímulo em continuar na remodelação de nós mesmos. Vencidas as primeiras dificuldades, a misericórdia do nosso Divino Criador já nos faz colher os primeiros frutos do nosso trabalho, nas manifestações das alegrias reconfortadoras do espírito.

Quem vem a se interessar pelo Espiritismo como curiosidade, e fica na constatação do intercâmbio e das manifestações dos espíritos, flutua na sua superfície; e quem se sente atraído pelas suas interpelações e busca no estudo informações sobre sua contribuição ao conhecimento da origem, natureza e destinação dos nossos espíritos, penetra nas camadas de suas bases; no entanto, aqueles, pelo que já sofreram e na ansiedade de preencher o espírito ávido de perfeição, sentindo em profundidade os seus ensinamentos, oferecem terreno sólido para a edificação progressiva da Doutrina dos Espíritos dentro de si mesmos, porque neles as transformações íntimas serão realizadas e neles o Espiritismo cumpre o seu verdadeiro papel de redentor da humanidade.

Portanto, se ainda não nos sentimos tocados em profundidade, e se nas nossas inquietações não estamos trazendo o conhecimento espírita para o terreno das mudanças no nosso comportamento, não estaremos aplicando a Doutrina em benefício da nossa própria evolução, e não poderemos, a rigor, ser reconhecidos como espíritas. Poderemos ser profundos conhecedores da sua filosofia ou meticulosos pesquisadores da sua ciência, o que nos conferirá apenas a condição de teóricos. Vivência, aplicação, exemplificação, transformação, eis as características do espírita autêntico; eis a base estabelecida por Allan Kardec.