Sócrates, um dos homens mais sábios dos tempos antigos, costumava dizer a seus discípulos que só podia ensinar uma ciência, que era, no entanto, a primeira e a mais indispensável de todas, a ciência que faz homens bons e honestos, esclarecendo-os acerca de seus deveres: a Moral.
Certo dia, em uma rua de Atenas, sua pátria, teve oportunidade de encontrar um jovem de boa aparência e resolveu então fazê-lo seu discípulo e amigo. Impedindo-lhe os passos com sua bengala, disse:
- Sabes onde poderei comprar pão e carne?
- Sei sim - respondeu Xenofonte (era esse o nome do jovem) - encontrá-los-ás no mercado de Ágora.
- E sabes - continuou Sócrates, sem deixar a bengala -, onde possa eu comprar roupas e calçados?
- Sim - disse o outro -, e indicou a Sócrates os negociantes.
- Muito bem, agora, meu jovem, já que sabes tantas coisas úteis, poderias dizer-me onde a gente aprende a tornar-se um homem de bem?
Desta vez, Xenofonte calou-se, enrubescendo. Sócrates então lhe disse:
-Qual a vantagem de saberes todas as coisas, se ignoras a única coisa que te é essencial? Que uso farás de tua ciência, se dela não te sabes utilizar para o bem?
-Ela será para ti como uma ferramenta nas mãos de um homem sem experiência; maneja-la-ás ao acaso e cada vez te ferirás mais, à medida que prosseguires em tua obra.
E, como Xenofonte permanesse confuso diante de Sócrates e acanhado por haver durante tanto tempo negligenciado a verdadeira instrução, o sábio lhe disse:
- Vem comigo, estudaremos a ciência do Bem.
E assim aconteceu, Xenofonte, instruído pelas lições desse mestre, tornou-se um dos mais esclarecidos cidadãos da Grécia, e um dos que mais honra fazem a esse país tão fecundo em homens virtuosos.
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