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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Depressão

Generalidades
Depressão é uma palavra freqüentemente usada para descrever nossos sentimentos. Todos se sentem "para baixo" de vez em quando, ou de alto astral às vezes e tais sentimentos são normais. A depressão, enquanto evento psiquiátrico é algo bastante diferente: é uma doença como outra qualquer que exige tratamento. Muitas pessoas pensam estar ajudando um amigo deprimido ao incentivarem ou mesmo cobrarem tentativas de reagir, distrair-se, de se divertir para superar os sentimentos negativos. Os amigos que agem dessa forma fazem mais mal do que bem, são incompreensivos e talvez até egoístas. O amigo que realmente quer ajudar procura ouvir quem se sente deprimido e no máximo aconselhar ou procurar um profissional quando percebe que o amigo deprimido não está só triste.
Uma boa comparação que podemos fazer para esclarecer as diferenças conceituais entre a depressão psiquiátrica e a depressão normal seria comparar com a diferença que há entre clima e tempo. O clima de uma região ordena como ela prossegue ao longo do ano por anos a fio. O tempo é a pequena variação que ocorre para o clima da região em questão. O clima tropical exclui incidência de neve. O clima polar exclui dias propícios a banho de sol. Nos climas tropical e polar haverá dias mais quentes, mais frios, mais calmos ou com tempestades, mas tudo dentro de uma determinada faixa de variação. O clima é o estado de humor e o tempo as variações que existem dentro dessa faixa. O paciente deprimido terá dias melhores ou piores assim como o não deprimido. Ambos terão suas tormentas e dias ensolarados, mas as tormentas de um, não se comparam às tormentas do outro, nem os dias de sol de um, se comparam com os dias de sol do outro. Existem semelhanças, mas a manifestação final é muito diferente. Uma pessoa no clima tropical ao ver uma foto de um dia de sol no pólo sul tem a impressão de que estava quente e que até se poderia tirar a roupa para se bronzear. Este tipo de engano é o mesmo que uma pessoa comete ao comparar as suas fases de baixo astral com a depressão psiquiátrica de um amigo. Ninguém sabe o que um deprimido sente, só ele mesmo e talvez quem tenha passado por isso. Nem o psiquiatra sabe: ele reconhece os sintomas e sabe tratar, mas isso não faz com que ele conheça os sentimentos e o sofrimento do seu paciente.

Como é?
Os sintomas da depressão são muito variados, indo desde as sensações de tristeza, passando pelos pensamentos negativos até as alterações da sensação corporal como dores e enjôos. Contudo para se fazer o diagnóstico é necessário um grupo de sintomas centrais:

  • Perda de energia ou interesse
  • Humor deprimido
  • Dificuldade de concentração
  • Alterações do apetite e do sono
  • Lentificação das atividades físicas e mentais
  • Sentimento de pesar ou fracasso

Os sintomas corporais mais comuns são sensação de desconforto no batimento cardíaco, constipação, dores de cabeça, dificuldades digestivas. Períodos de melhoria e piora são comuns, o que cria a falsa impressão de que se está melhorando sozinho quando durante alguns dias o paciente sente-se bem. Geralmente tudo se passa gradualmente, não necessariamente com todos os sintomas simultâneos, aliás, é difícil ver todos os sintomas juntos. Até que se faça o diagnóstico praticamente todas as pessoas possuem explicações para o que está acontecendo com elas, julgando sempre ser um problema passageiro.

Outros sintomas que podem vir associados aos sintomas centrais são:

  • Pessimismo
  • Dificuldade de tomar decisões
  • Dificuldade para começar a fazer suas tarefas
  • Irritabilidade ou impaciência
  • Inquietação
  • Achar que não vale a pena viver; desejo de morrer
  • Chorar à-toa
  • Dificuldade para chorar
  • Sensação de que nunca vai melhorar, desesperança...
  • Dificuldade de terminar as coisas que começou
  • Sentimento de pena de si mesmo
  • Persistência de pensamentos negativos
  • Queixas freqüentes
  • Sentimentos de culpa injustificáveis
  • Boca ressecada, constipação, perda de peso e apetite, insônia, perda do desejo sexual

Diferentes tipo de depressão
Basicamente existem as depressões monopolares (este não é um termo usado oficialmente) e a depressão bipolar (este termo é oficial). O transtorno afetivo bipolar se caracteriza pela alternância de fases deprimidas com maníacas, de exaltação, alegria ou irritação do humor. A depressão monopolar só tem fases depressivas.

Depressão e doenças cardíacas
Os sintomas depressivos apesar de muito comuns são pouco detectados nos pacientes de atendimento em outras especialidades, o que permite o desenvolvimento e prolongamento desse problema comprometendo a qualidade de vida do indivíduo e sua recuperação. Anteriormente estudos associaram o fumo, a vida sedentária, obesidade, ao maior risco de doença cardíaca. Agora, pelas mesmas técnicas, associa-se sintoma depressivo com maior risco de desenvolver doenças cardíacas. A doença cardíaca mais envolvida com os sintomas depressivos é o infarto do miocárdio. Também não se pode concluir apressadamente que depressão provoca infarto, não é assim. Nem todo obeso, fumante ou sedentário enfarta. Essas pessoas enfartam mais que as pessoas fora desse grupo, mas a incidência não é de 100%. Da mesma forma, a depressão aumenta o risco de infarto, mas numa parte dos pacientes. Está sendo investigado.

Depressão no paciente com câncer
A depressão costuma atingir 15 a 25% dos pacientes com câncer. As pessoas e os familiares que encaram um diagnóstico de câncer experimentarão uma variedade de emoções, estresses e aborrecimentos. O medo da morte, a interrupção dos planos de vida, perda da auto-estima e mudanças da imagem corporal, mudanças no estilo social e financeiro são questões fortes o bastante para justificarem desânimo e tristeza. O limite a partir de qual se deve usar antidepressivos não é claro, dependerá da experiência de cada psiquiatra. A princípio sempre que o paciente apresente um conjunto de sintomas depressivos semelhante ao conjunto de sintomas que os pacientes deprimidos sem câncer apresentam, deverá ser o ponto a partir do qual se deve entrar com medicações.
Existem alguns mitos sobre o câncer e as pessoas que padecem dele, tais como"os portadores de câncer são deprimidos". A depressão em quem tem câncer é normal, o tratamento da depressão no paciente com câncer é ineficaz. A tristeza e o pesar são sentimentos normais para uma pessoa que teve conhecimento da doença. Questões como a resposta ao tratamento, o tempo de sobrevida e o índice de cura entre pacientes com câncer com ou sem depressão estão sendo mais enfocadas do que a investigação das melhores técnicas para tratamento da depressão.
Normalmente a pessoa que fica sabendo que está com câncer torna-se durante um curto espaço de tempo descrente, desesperada ou nega a doença. Esta é uma resposta normal no espectro de emoções dessa fase, o que não significa que sejam emoções insuperáveis. No decorrer do tempo o humor depressivo toma o lugar das emoções iniciais. Agora o paciente pode ter dificuldade para dormir e perda de apetite. Nessa fase o paciente fica ansioso, não consegue parar de pensar no seu novo problema e teme pelo futuro. As estatísticas mostram que aproximadamente metade das pessoas conseguirá se adaptar a essa situação tão adversa. Com isso estas pessoas aceitam o tratamento e o novo estilo de vida imposto não fica tão pesado.

A identificação da depressão
Para afirmarmos que o paciente está deprimido temos que afirmar que ele sente-se triste a maior parte do dia quase todos os dias, não tem tanto prazer ou interesse pelas atividades que apreciava, não consegue ficar parado e pelo contrário movimenta-se mais lentamente que o habitual. Passa a ter sentimentos inapropriados de desesperança desprezando-se como pessoa e até mesmo se culpando pela doença ou pelo problema dos outros, sentindo-se um peso morto na família. Com isso, apesar de ser uma doença potencialmente fatal, surgem pensamentos de suicídio. Esse quadro deve durar pelo menos duas semanas para que possamos dizer que o paciente está deprimido.

Causa da Depressão
A causa exata da depressão permanece desconhecida. A explicação mais provavelmente correta é o desequilíbrio bioquímico dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor. Esta afirmação baseia-se na comprovada eficácia dos antidepressivos. O fato de ser um desequilíbrio bioquímico não exclui tratamentos não farmacológicos. O uso continuado da palavra pode levar a pessoa a obter uma compensação bioquímica. Apesar disso nunca ter sido provado, o contrário também nunca foi.
Eventos desencadeantes são muito estudados e de fato encontra-se relação entre certos acontecimentos estressantes na vida das pessoas e o início de um episódio depressivo. Contudo tais eventos não podem ser responsabilizados pela manutenção da depressão. Na prática a maioria das pessoas que sofre um revés se recupera com o tempo. Se os reveses da vida causassem depressão todas as pessoas a eles submetidos estariam deprimidas e não é isto o que se observa. Os eventos estressantes provavelmente disparam a depressão nas pessoas predispostas, vulneráveis. Exemplos de eventos estressantes são perda de pessoa querida, perda de emprego, mudança de habitação contra vontade, doença grave, pequenas contrariedades não são consideradas como eventos fortes o suficiente para desencadear depressão. O que torna as pessoas vulneráveis ainda é objeto de estudos. A influência genética como em toda medicina é muito estudada. Trabalhos recentes mostram que mais do que a influência genética, o ambiente durante a infância pode predispor mais as pessoas. O fator genético é fundamental uma vez que os gêmeos idênticos ficam mais deprimidos do que os gêmeos não idênticos.


Na Visão espírita, o que seria a depressão?
- A conceituação de depressão para o Espiritismo é a mesma que a Medicina dá, isto é, o conjunto de sinais e sintomas depressivos (tristeza, falta de prazer, insônia, perda do apetite, choro fácil, etc.) que duram por mais de 2 semanas, sem fator desencadeante muito claro (luto, por exemplo).
A diferença é que, o Espiritismo investiga as diversas causas espirituais dessa doença.
Considerando que todos somos imortais, e que reencarnamos várias vezes para desenvolver nossos potenciais sempre evoluindo, as causas reais de qualquer doença encontram-se nesta ou numa existência anterior.
O Espiritismo considera que a depressão é uma doença com componentes orgânicos e psicológicos.
Nesse sentido, o Espírito pode reencarnar com a predisposição (adquirida em outra reencarnação) de desenvolver a depressão, bastando poucos fatores precipitantes para desencadear a síndrome.
Entretanto, a depressão pode ser adquirida, inconscientemente, sem o paciente perceber, na própria reencarnação.
No caso particular da depressão, devemos lembrar dois componentes geradores de doenças: a influência do próprio Espírito encarnado (o paciente) que, através de pensamentos negativos, desenvolve distúrbios orgânicos, e a influência da obsessão.
Na visão espírita, todos nós somos mais ou menos médiuns, ou seja, possuímos em maior ou menor grau a mediunidade, que é faculdade humana natural (orgânica) de perceber Espíritos desencarnados (que já deixaram o corpo no momento da morte).
O Espiritismo nos esclarece que a Obsessão é uma síndrome muito prevalente na população, mas pouco diagnosticada, que se apresenta como o conjunto de distúrbios psicológicos e psiquiátricos decorrentes da ligação mental que se estabelece entre o paciente encarnado (nós, que ainda possuímos o corpo) e um (ou mais) desencarnado.
Na verdade, poderíamos estender esse conceito para qualquer relação mental e psicológica inter-encarnados, inter-desencarnados, do encarnado para o desencarnado ou vice-versa que prejudica a saúde mental de ambos.
Um Espírito obsessor pode ter vários motivos para obsediar um encarnado. Em nossas várias reencarnações criamos numerosos vínculos e afectos, nem sempre saudavelmente, representando uma semeadura que certamente colheremos mais tarde.
Quando um desafeto vê-se prejudicado, e não compreende as soberanas leis da natureza e da Justiça Divina, procura o encarnado "criminoso", mesmo depois, em outras reencarnações, para vingar-se.
A vingança é uma das maiores causas de obsessão relatada.
Há também outros motivos que se somam, como o "parasitismo" mental pelo prazer, a paixão e o ódio, etc.
Naturalmente, o obsessor, por definição óbvia, estará sempre em maior perturbação.
O encarnado, por sua vez, receberá esse "ataque" mental e sofrerá por isso se, e somente se, o permitir. Isto é, o campo mental propício do encarnado dá acesso para o desencarnado interferir.
Pensamentos ociosos, ambientes viciantes, conversações levianas, supérfluas e frívolas, clichês mentais e degradantes possibilitam um campo de fácil atuação ao obsessor.
Cultivar o hábito da prece, vigilância de pensamentos, conversações nobres, controle dos impulsos, leituras edificantes e saudáveis, estudar páginas do Evangelho no lar, etc., são os recursos terapêuticos mais eficazes na prevenção e tratamento das obsessões.
Para complementar, o paciente, se desejar, também pode procurar uma casa espírita onde encontrará um serviço de atendimento fraterno, poderá participar de palestras, receber fluidoterapia (passes magnéticos e água fluidificada) para fortalecê-lo externa e internamente.
Se for necessário, o caso poderá ser levado às reuniões mediúnicas espíritas, em que o obsessor é convidado a dialogar através de médiuns treinados para que ele também possa ser atendido e liberar-se da idéia de perturbação.
Assim, recomendamos fortemente que você analise essas questões, observe aquilo que está sentindo e busque a melhor terapia que lhe fará maior bem, tanto no para o lado material (médico, psiquiátrico) quanto do lado espiritual, buscando, acima de tudo, resolver as causas da problemática atual.
Que Jesus, o sublime médico das almas, nos fortaleça e nos ampare nas nossas dores.

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